Sobre KW

       O mundo deste concerto vive da diversidade musical de Weill e dessa viagem, ou fuga, que foi a sua vida e obra. Percorre os três países e idiomas que Weill abraçou como seus, não foge à inerente teatralização de que vivem os seus temas, repensa as suas dissonâncias, ilumina a realidade desses temas e das suas histórias recriando no seu mundo a nossa verdade sonora e emocional.

Protagonizado pela voz segura e surpreendente de Adriana Queiroz, ancorado nos arranjos de Filipe Raposo , servido na perfeição pelo trabalho de Luís Madureira e pelos figurinos de José António Tenente, ou pelo subtil trabalho de luzes de Helena Gonçalves e Pedro Mendes, KW | Kurt Weill devolve-nos a um tempo o génio musical do compositor e a teatralidade que irrompe do seu trabalho.

Concebido como uma viagem por mais de trinta anos de composição e pelos três países onde Kurt Weill viveu a sua vida — com um cometimento e um desejo de conhecimento que o levou, nas palavras de Langston Hughes, a ser um compositor alemão em Berlim, francês em Paris e americano em Nova Iorque — KW | Kurt Weill vive efectivamente das memórias teatrais que cada obra transporta consigo. De Ascensão e Queda da Cidade de Mahagony, de 1927, da qual ouvimos o eterno Alabama Song, até Lost in the Stars, de 1949, quando Weill contribuía largamente para o período de ouro do music-hall americano, passando pela Ópera dos Três Vinténs ou por Happy End e pela imortal canção Surabaya Johnny, cada um dos temas transporta consigo um universo que Adriana Queiroz, tão actriz como cantora, tão bailarina como actriz, reinterpreta com intensidade e subtileza, apoiada na ductilidade dos músicos e no dramatismo dos figurinos de José António Tenente.

A expressividade e o poder de uma orquestra com mais de vinte elementos, a subtileza com que Adriana Queiroz nos comunica cada canção, quase desenhada numa micro-encenação, o universo apaixonante de Kurt Weill e o seu lirismo corajoso, quase jactante: três argumentos para uma noite perfeita.

José Luís Ferreira

 

KW

A viagem que começou, numa conversa minha com o Maestro César Viana, pelo diversificado universo musical deste compositor que tendo como influências Mahler, Stravinsky e Schoenberg, tem um enorme gosto pelo teatro musical e o jazz, a ópera e o teatro épico, retoma agora a sua viagem pelas mãos do pianista e orquestrador Filipe Raposo.

A obra vastíssima e cheia de contrastes que nos deixou associa todos estes géneros com a tradição musical de cada país por onde passou. Como disse o poeta negro Langston Hughes “(…) se ele tivesse partido para a Índia teria composto musica indiana notável … É por isto que a Alemanha pode considerar Weill um compositor alemão, a França como francês, a América como americano, e eu como um negro.”

É nesta diversidade musical de Weill e nesta viagem/fuga que foi a sua vida e obra que vive o mundo deste concerto. Percorrer os 3 países e idiomas que Weill abraçou como seus, não fugir à inerente teatralização de que vivem os seus temas, repensar as suas dissonâncias, iluminar a realidade destes temas e das suas histórias criando a nossa verdade sonora e emocional no seu mundo.

Percorreremos no período alemão de Kurt Weill temas de “Aufstieg und Fall der stadt Mahagonny”, “Der Dreigroschenoper” e “Happy End” todos escritos em parceria com Bertolt Brecht. No período francês “Marie Galante” em parceria com Roger Fernay e Jacques Deval e algumas canções com letras de Maurice Magre. No período americano o universo de “One touch of Venus” (Odgen Nash), “Lost in the stars” (Maxwell Anderson) e “Lady in the dark” (Moss Hart e Ira Gershwin).

Repertório

Alabama Song KURT WEILL
BERTOLT BRECHT
Der Bilbao Song KURT WEILL
BERTOLT BRECHT
Der Song von Mandelay KURT WEILL
BERTOLT BRECHT
Das Lied von Surabaya Johnny KURT WEILL
BERTOLT BRECHT
Zuhälter-Ballade KURT WEILL
BERTOLT BRECHT
Youkali KURT WEILL
ROGER FERNAY
J’attends un Navire KURT WEILL
JACQUES DUVAL 
Complainte de la Seine KURT WEILL
MAURICE MAGRE
Buddy on the Nightshift KURT WEILL
OSCAR HAMMERSTEIN
Speak Low KURT WEILL
OGDEN NASH
I’m a Stranger here myself KURT WEILL
OGDEN NASH
Lost in the Stars KURT WEILL
MAXWELL ANDERSON
Die Moritat von Mackie Messer KURT WEILL
BERTOLT BRECHT

Ficha Artística

concepção e voz ADRIANA QUEIROZ
arranjos FILIPE RAPOSO
apoio vocal LUÍS MADUREIRA
figurinos JOSÉ ANTÓNIO TENENTE
desenho de luz HELENA GONÇALVES E PEDRO MENDES
produção PRODUÇÕES ADRIANA QUEIROZ

Vídeos